terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ano velho

Mais bonito que o espírito natalino é o Ano novo...
Imploram pela paz enquanto comem cadáveres
Pedem um mundo melhor financiando o trabalho escravo em suas roupas Nike e Adidas
Prometem emagrecer se empanturrando do que há de mais caro
E sonham com mudanças realizando tradições de mil anos atrás...

Há, e eu que me achava irônica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Meu caso de amor com uma velha

Eu ando nas ruas de cabeça baixa ou olhando reto. Fazendo mil planos. De quem serei, do que farei. De como mudarei o mundo, do quanto permitirei a ele me mudar. De como serei útil. Enquanto andava uma velha passou por mim. Não era bonita, nem feia, não era pobre, mas com certeza não tinha dinheiro. Era uma velha. Ela disse: "Bom dia". Sorri. De que adiantam tantos planos e tantas revoluções silenciosas se não se diz Bom Dia? Imaginei quantos Bons Dias ela diz por dia. Imaginei quantas pessoas ela faz sorrir. É, ela é mais útil do que eu.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Herança Mortal

Foram todos substituídos
Os galhos de vida abolidos
A água que corria secou no calor
E aqui veio morar um senhor

Que festival de cores aqui se amavam
Quando as diferenças se encontravam
E todo mundo andava sempre solto
Um organismo no outro envolto

O tal senhor aparentemente ranzinza
Trouxe consigo muita gente
Que é grande, quadrada e cinza
Que não respira, não ama, não mente

A gente grande daqui era verde e dava fruto
Os que nelas brincavam de toda cor
As de agora ficam em repouso absoltuto
E delas sai uma fumaça cheia de dor

Toda beleza vira papel
Papel que vira mais gente incolor
Tudo que se escuta é tropel
Tudo que se sente é mais calor

E para os filhos que nunca terei
Deixo minhas desculpas, meu arrependimento
Por essa herança que sem querer deixei:
Um mundo sem água, sem cor, sem vento

terça-feira, 11 de novembro de 2008


Eu não nego, eu me entrego.


Ps. Me sinto tão ridícula fazendo declarações para o além quando gostaria de dize-las afinal. Entretanto, compreendo que talvez nem todo mundo goste de atender ao telefone as 2:00h da madrugada para ouvir as seis palavras acima.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Andei pensando: Querendo ou não, todo mundo ao longo da vida acaba construindo uma base, não importa se for constituída por um ou mil pilares, não deixa de ser uma base. Algo que te sustenta, alguéns para quem você corre quando se sente meio sem chão, afinal, a partir do momento em que as respectivas pessoas se tornam os pilares de sua base elas passam a ser seu chão. Não digo que é certo conviver, viver, amar e compartilhar tanto de si com determinadas pessoas a ponto de apoiar-se nelas, digo apenas que é inevitável. Afinal, labirintos complexos como todos somos, vez ou outra perdemo-nos em nós mesmos e não há nada mais reconfortante do que saber que quando isso acontecer não caíremos, pois lá estão: Nossos pilares. Nossa base. Minha questão é: E quando um desses pilares desmorona? Seja por atrito com quem o fez de base, seja para servir de base para outra pessoa ou seja simplesmente pela força do tempo, sabe como é, tem construção que não dá para se conservar para sempre. E aí? O que a gente faz?

  1. Tenta fortalecer os outros pilares já existentes para ver se sobrevive sem aquele? Mas e quem já está acostumado com um determinado número de pilares? Afinal, seria como se hoje declarassem: Não teremos mais sete dias na semana, apenas seis. Dá para conservar uma base pela metade?
  2. Procura outra pessoa que possa eventualmente tornar-se um pilar? Mas é importante frisar que nenhum pilar é igual ao outro. E então se for encontrado outro pilar, mas por ter forma diferente acaba mesmo assim não preenchendo o espaço vazio?
  3. Espera até que aquele pilar resolva voltar e tornar sua base completa de novo? Mas e se ele voltar bem diferente do que foi? E se demorar demais? E se não voltar? Onde a gente se apóia nesse meio tempo?
Uma base composta de pilares. Um deles cai. Me diz, como é então que a gente faz para não desmoronar?
Escrito por alguém, cuja base de cinco pilares acabou de ficar manca.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Teatro Mágico - Sobra Tanta Falta

Falta tanta coisa na minha janela como uma praia
Falta tanta coisa na memória como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo

Sei lá se o que me deu foi dado
Sei lá se o que me deu já é meu
Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu

Vai saber se o que me deu quem sabe
Vai saber quem souber me salve
Vai saber se o que me deu quem sabe
Vai saber quem souber me salve

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Para onde foi minha poesia?
Agora com todo o espaço tomado de alegria?
Toda alma que antes era inspiração
Não sabe mais colocar-se em exposição
Não sabe ordenar tanta emoção
Acaba com minha obra, minha criação
Para onde foi minha poesia?
Se para isso é preciso sabedoria
Coisa que em sã consciência eu faria
Mas desse corpo a sanidade saiu
E foi aí que o espírito sorriu
Para onde foi minha poesia?
Sabia que ela um dia me abandonaria
Assim que permiti crescer o interno
Muito maior e mais poderoso que o externo
Não dá mais para traduzir tanta coisa assim
Essa língua portuguesa é pouco para mim
Sabia que um dia a palavra não mais bastaria
Para onde foi minha poesia?