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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Inverno

Frio tem gosto de saudade
E a vida deixa de ser de verdade.
Chuva é pingo de emoção
Vento é arrastão.
E as mãos embranquecem
Os abraços aquecem
E a gente dorme melhor.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Alter Ego


Só teus próprios dramas podem contradizer tua ciência
Quando todo o habitual não curar tua carência
Verás que chamar por ti mesmo não adianta
Que não és tão cortesã, nem tão santa

Sobretudo, não deposita em ti tua esperança
Abraça teu travesseiro como criança
Que ele é mais fiel a ti do que tua própria mente
Que ele não te descarta, racionaliza e nem sente

Esquece poder chamar teu cérebro no desespero
Esquece o tiro que sempre achou ser certeiro
Tudo o que era garantido um dia cai
E tu descobrirás em ti mesmo a pessoa que mais te trai

sábado, 18 de abril de 2009

Lágrimas e chuva


Hoje não é hoje
Hoje eu sou só saudade
E o momento que eu vivo não é momento
É lembrança de
Hoje eu sou só memória
A essência do presente é o passado
Hoje eu me recolho em minhas lembranças
Eu me abrigo em minha nostalgia
Hoje é o ontem machucado
E eu sou só saudade
Hoje não é hoje

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fica

Deixa aqui
A tua boca em minha orelha
A tua voz em meu ouvido
As tuas palavras em minha alma
Bem de perto... bem de perto...
... Fica

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Não gosto mais das comidas de mercado
Prefiro as que compro em lojas de produtos naturais
Sem muitos conservantes e sabores artificiais
Engraçado como uma coisa leva a outra
Engraçado ver um setor da vida em outro se entrelaçar
Também não gosto mais das pessoas de mercado
Cheias de rótulos, bem fáceis de se encontrar
A diferença é que vez ou outra, ainda consigo comer uma trakinas

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Herança Mortal

Foram todos substituídos
Os galhos de vida abolidos
A água que corria secou no calor
E aqui veio morar um senhor

Que festival de cores aqui se amavam
Quando as diferenças se encontravam
E todo mundo andava sempre solto
Um organismo no outro envolto

O tal senhor aparentemente ranzinza
Trouxe consigo muita gente
Que é grande, quadrada e cinza
Que não respira, não ama, não mente

A gente grande daqui era verde e dava fruto
Os que nelas brincavam de toda cor
As de agora ficam em repouso absoltuto
E delas sai uma fumaça cheia de dor

Toda beleza vira papel
Papel que vira mais gente incolor
Tudo que se escuta é tropel
Tudo que se sente é mais calor

E para os filhos que nunca terei
Deixo minhas desculpas, meu arrependimento
Por essa herança que sem querer deixei:
Um mundo sem água, sem cor, sem vento

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Para onde foi minha poesia?
Agora com todo o espaço tomado de alegria?
Toda alma que antes era inspiração
Não sabe mais colocar-se em exposição
Não sabe ordenar tanta emoção
Acaba com minha obra, minha criação
Para onde foi minha poesia?
Se para isso é preciso sabedoria
Coisa que em sã consciência eu faria
Mas desse corpo a sanidade saiu
E foi aí que o espírito sorriu
Para onde foi minha poesia?
Sabia que ela um dia me abandonaria
Assim que permiti crescer o interno
Muito maior e mais poderoso que o externo
Não dá mais para traduzir tanta coisa assim
Essa língua portuguesa é pouco para mim
Sabia que um dia a palavra não mais bastaria
Para onde foi minha poesia?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Rapaz, isso aqui ficou grande demais.

Meu amor não é romântico, nem erótico
Não é iluminado, não é gótico
Meu amor é amor em estado bruto
Amor que é só amor, absoluto

Meu amor é simples e completo
Não é escadaloso nem discreto
Meu amor não sabe a hora de ir
Meu amor não sabe a hora de voltar
Só sabe que tudo que lhe fizer sorrir
É tudo o que ele não pode deixar

Meu amor é meu porque vem de mim
Nasceu comigo e ali vai ficar
E é meu próprio amor que me dita assim
Quando está afim de se exteriorizar

Meu amor não precisa de regras
Meu amor não precisa de pudor
Meu amor não precisa de rédeas
Meu amor só precisa de amor

Meu amor não tem medo do começo
E nunca perde a noção do fim
Meu amor sabe que dele não padeço
Meu amor hora lixa, hora cetim
Sabe me ensinar que a vida é circular
Sabe cultivar e também sabe desmanchar

Meu amor não vem do corpo nem da alma
Meu amor não é feroz, não é só calma
Meu amor é amor em estado bruto
Amor que é só amor, absoluto

Meu amor dispensa toda conquista
Tal como dispensa provocações
Meu amor não tem sensualidade em vista
E não sabe dar insinuações
É o mais puro retrato da sinceridade
Sem duplo vínculo e sem vaidade

Meu amor não pede conselho qualquer
O amor é meu e eu entrego para quem quiser
Meu amor é amor em estado bruto
Amor que é só amor, absoluto


Nota: Quero deixar claro, que quando digo: meu amor. Não me refiro ao objeto amado, até porque amor e posse são antônimos em minha concepção. Refiro-me ao amor que é realmente meu, que vive em mim, o abstrato. Grata.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Revolução

Abriu os olhos e botou-se a notar

Pés, mãos, bocas e barrigas
Sangue, terra, armas e feridas
Rostos cansados de sofrimento
Sonhos deixados ao vento

A culpa é deles, é minha, é sua
Lute por isso, vá para a rua
Tomou coragem para se mexer
De vez fazer aquilo desaparecer

Cumpriu a tarefa complicada
Deixou tudo calado
Televisão deligada
Problema acabado

Fechou os olhos e voltou a cochilar

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Idealização

Sem brincadeiras com responsabilidade
Sem boicotes a liberdade
Não me chame de tua nem queira ser meu
Não há um homem que só de amor já viveu

A responsabilidade pelo meu amor é minha
A tua é tua
Não me deixes desaprender a ser sozinha
Nua e crua

Cuida de ti que de mim cuido eu
Trate de ser inteiro, completo
E nos entregamos na luz ou no breu
Um amor de profundidade repleto

Sejamos um par, não unidade
Deixamos de lado toda vaidade
Esqueçamos burocracia, complexidade
Vivamos em nossa simplicidade

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Não há necessidade em contar
Há muito sei que entendes
Deixo-te as palavras pelo ar
Para não deixar-nos mais carentes

Mil textos que poderia redigir
Mil formas de nos lembrar
Mil músicas teriam de existir
Mil sonhos ao deitar

Não há necessidade em contar
Há muito já sabes dessa dedicação
Deixo-te as palavras pelo ar
Para que tu cuides da própria emoção

Negando toda a lógica do dicionário
E os diálogos poéticos do romantismo
Pois a gramática que guardo no armário
Não ajuda meu próprio neologismo

Mil novas palavras eu teria de inventar
Mil histórias que hão de vir
Mil formas de um mesmo falar
Mil expressões que espero ver surgir

Não há necessidade em contar
Deixo-te nas entrelinhas
Deixo-te as palavras pelo ar
Deixo-te risadas minhas

Enquanto tu souberes cá a minha posição
Do teu lado, em teu ombro
Afirmo-te que não importa a localização
Serei teu guia, tua mão, teu desassombro

Mil sentimentos ainda não-entitulados
Mil planos
Mil casos ainda não-concretizados
Mil anos

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Quero dizer que te amo só de amor.
Sem idéias, palavras, pensamentos.
Quero fazer que te amo só de amor.
Com sentimentos, sentidos, emoções.
Quero curtir que te amo só de amor.
Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo.

Quero querer que te amo só de amor.
São sombras as palavras no papel.
Claro-escuros projetados pelo amor,
dos delírios e dos mistérios do prazer.
Apenas sombras as palavras no papel.

Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo
e nos sonhos dos amantes.
Fátuas sombras as palavras no papel.

Meu amor te escrevo feito um poema
de carne, sangue, nervos e sêmen.
São versos que pulsam, gemem e fecundam.

Meu poema se encanta feito o amor dos bichos
livres às urgências dos cios
e que jogam, brincam, cantam e dançam
fazendo o amor como faço o poema.

Quero a vida às claras superfícies
onde terminam e começam meus amores.
Eu te sinto na pele, não no coração.
Quero do amor as tenras superfícies
onde a vida é lírica porque telúrica,
onde sou épico porque ébrio e lúbrico.

Quero genitais todas as nossas superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor,
mas virá sempre antes, não depois da excitação.

Meu grande amor, o infinito é um recomeço.
Não há limites para se viver um grande amor.
Mas só te amo porque me dás o gozo
e não gozo mais porque eu te amo.
Não há limites para o fim de um grande amor.

Nossa nudez, juntos, não se completa nunca,
mesmo quando se tornam quentes e congestionadas,
úmidas e latejantes todas as mucosas.
A nudez a dois não acontece nunca,
porque nos vestimos um com o corpo do outro,
para inventar deuses na solidão do nós.
Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.

Porque eu te amo, tu não precisas de mim.
Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
No amor, jamais nos deixamos de completar.
Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.

O amor é tanto, não quanto.
Amar é enquanto, portanto. Ponto.


Roberto Freire (L) - AMO! *.*