terça-feira, 17 de março de 2009

Estômago

Andei de mototaxi ontem, nada fora do comum. O mototaxista veio conversando comigo, sobre uma garota que ele sempre leva para a faculdade, visto que foi lá que ele me buscou, logo este acabou por ser o assunto em pauta. A garota faz enfermagem. Só para continuar o assunto, de forma bem banal eu disse: "Nossa, tem que ter estômago hein!". Que frase ridícula. Parei então para pensar no que de fato nos exige estômago. Porra, para fazer jornalismo tem que ter muito estômago! E conseguir conviver com o pessoal das redações, sabendo de mil escândalos de extrema importância social e tendo que escondê-los pois envolvem um dos maiores patrocinadores da respectiva ex-imprensa, atual empresa jornalística. Para ser professor tem que ter estômago se não fica impossível agüentar moralismo de um lado, iresponsabilidade de outro, descaso de alguns, conservadorismo de outros. Dado importante: Em 2008 foram registrados 25% dos professores da rede pública em São Paulo com depressão. E para ser advogado então? Cara, conviver sabendo que tudo pode ser burlado, e com gente que de fato faz jus a isso é tão mais repugnante do que abrir um cadáver. Iria falar sobre empresários, mais acho que chega até a ser dispensável discursar sobre. Precisa ter muito estômago. É meu caro amigo, não é só a área da saúde. Para tudo tem que ter muito estômago... ou ser cego. Viver nesse mundo é que enoja.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fica

Deixa aqui
A tua boca em minha orelha
A tua voz em meu ouvido
As tuas palavras em minha alma
Bem de perto... bem de perto...
... Fica

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ceumar - Cantiga

Flower não é flor
Mas eu te dou meu amor, little flower
Sete cravos, sete rosas, liro liro lê, liro liro lá
Girândolas, girândolas
Give me your love
Love me alive
Leve, me leve
Nas asas da borboleta leta
Que borbole bole bole
Sol que girassole, sole mio amore
Flore me now and forever
Never more flores
Never more flores

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Não gosto mais das comidas de mercado
Prefiro as que compro em lojas de produtos naturais
Sem muitos conservantes e sabores artificiais
Engraçado como uma coisa leva a outra
Engraçado ver um setor da vida em outro se entrelaçar
Também não gosto mais das pessoas de mercado
Cheias de rótulos, bem fáceis de se encontrar
A diferença é que vez ou outra, ainda consigo comer uma trakinas

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ano velho

Mais bonito que o espírito natalino é o Ano novo...
Imploram pela paz enquanto comem cadáveres
Pedem um mundo melhor financiando o trabalho escravo em suas roupas Nike e Adidas
Prometem emagrecer se empanturrando do que há de mais caro
E sonham com mudanças realizando tradições de mil anos atrás...

Há, e eu que me achava irônica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Meu caso de amor com uma velha

Eu ando nas ruas de cabeça baixa ou olhando reto. Fazendo mil planos. De quem serei, do que farei. De como mudarei o mundo, do quanto permitirei a ele me mudar. De como serei útil. Enquanto andava uma velha passou por mim. Não era bonita, nem feia, não era pobre, mas com certeza não tinha dinheiro. Era uma velha. Ela disse: "Bom dia". Sorri. De que adiantam tantos planos e tantas revoluções silenciosas se não se diz Bom Dia? Imaginei quantos Bons Dias ela diz por dia. Imaginei quantas pessoas ela faz sorrir. É, ela é mais útil do que eu.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Herança Mortal

Foram todos substituídos
Os galhos de vida abolidos
A água que corria secou no calor
E aqui veio morar um senhor

Que festival de cores aqui se amavam
Quando as diferenças se encontravam
E todo mundo andava sempre solto
Um organismo no outro envolto

O tal senhor aparentemente ranzinza
Trouxe consigo muita gente
Que é grande, quadrada e cinza
Que não respira, não ama, não mente

A gente grande daqui era verde e dava fruto
Os que nelas brincavam de toda cor
As de agora ficam em repouso absoltuto
E delas sai uma fumaça cheia de dor

Toda beleza vira papel
Papel que vira mais gente incolor
Tudo que se escuta é tropel
Tudo que se sente é mais calor

E para os filhos que nunca terei
Deixo minhas desculpas, meu arrependimento
Por essa herança que sem querer deixei:
Um mundo sem água, sem cor, sem vento