Começo com esse porque eu gosto desse.
Tempo é tudo e tudo precisa de tempo. Tempo é o melhor analgésico que alguém pode usar para remediar-se. E ele não existe em relógios, calendários ou fases da lua, existe debaixo da pele, dentro do universo particular ímpar que somos. Com o tempo, cada um descobre o seu tempo. O mundo todo anda desesperado para fazer. É por isso que todo dia surge uma bomba, um robô, um aparelho fazendo apologia ao sedentarismo, enfim: uma droga entorpecente nova. Cadê a ordem natural dos fatos? Todo mundo quer fazer, mas se esquece de pensar e de sentir. De nada vale um livro bom, sem que alguém reflita sobre ele: aplicação não ocorre sem teoria. Ou pelo menos não deveria. No desespero do verbo e dos substantivos concretos, ficou para trás o abstrato. O que importa mesmo é o que se pensa, o que se sente, essas coisas que vêm da alma: valores, essências, sonhos, desejos e pontos de vista. O corpo nada mais é do que uma extensão da alma e não o contrário. De nada vale ser intelectual ou doutor se por dentro está tudo mofando, apodrecendo, na ânsia de projetar algo maior do que existe. Nenhuma construção cresce sem uma base bem cuidada. O ser é a base, fazer é mera conseqüência. Desacelere.
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