terça-feira, 19 de agosto de 2008

Só o que eu sei é que está tudo implícito. Tudo o que é bom e tudo o que é ruim demais para ser dito em alto e bom tom. E só o que me entristece é saber que o bom está ainda mais escondido do que o mal. Rola o tempo todo uma cultura de venda da aparente felicidade e do falso drama, afinal todo mundo sabe que a tristeza de verdade é triste demais para ser exibida, tal como a alegria é espontânea, pura e instintiva em excesso, coisa que todo mundo sente, mas que ninguém fala sobre, porque é feio. É feio porque não cobra nada em troca e também porque é nossa culpa. Tudo o que se sente é nossa culpa, bem mais fácil jogar pro lado de lá, tipo: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Não menosprezando Saint Exupéry, afinal torno a dizer: quem nunca leu O Pequeno Príncipe, não sabe da vida a metade. Mas o fato é que digo o contrário: Eu me torno responsável por aquilo que cativo em mim. E tira esse eternamente, dá para contar nos dedos as coisas que são eternas mesmo, o ruim e o bom não estão inclusos nisso. Trata-se de um ciclo, do tal do tempo que eu tanto falo e de quem Renato Russo também gostava de falar. Porque ele é abstrato demais e tão implícito quanto tudo o que já citei aqui. Querem nos determinar na sociedade organizada, querem nos impôr calendários e relógios, querem nos fazer acreditar que o horário em que nascemos eque as voltas que a terra dá irão determinar quem somos, quem seremos e o que temos que fazer. Tudo errado. Ok, fugi do tema. Voltando: digo que o bom está bem mais escondido do que o ruim porque ele nem sempre é descoberto por nós mesmos, há uma enorme falta de dedicação em saber que antes de ser alguém você é você. Quem sou eu será sempre uma pergunta sem resposta para aqueles que não se adequaram, para aqueles que não baixaram guarda na rotina, nos relacionamentos, na política e no social conservardor. Espontaneidade é leve e forte demais, é uma liberdade que mostra aos demais o quanto estão presos, causando mais que uma inveja, um medo. Um terrível medo de encontrar em si mesmo aquilo que se vê e descobrir-se frágil, mas não frágil no sentido romântico e bonito da palavra, frágil no sentido humano, de quem pode ser forte e fraco, de quem pode querer ou não, gostar ou não. Dividem-se assim as nossas camadas: A externa que é como mercadoria a venda, onde selecionamos o que mais gostamos em nós e o que foi nos ensinado (não necessariamente aprendido) de mais agradável e útil a quem escuta. A mediana que é a má, que é toda pedra no nosso caminho, que é todo trauma, toda barreira, tudo aquilo que nos foi ensinado nas escolas. E a boa, que é nossa, só nossa, mas que deveria ser do mundo inteiro se não tivéssemos tanto medo e vergonha de nós mesmos. O que te passam na tevê não é só o que te passam na tevê meu amigo, tem tanta coisa por trás daquilo, tanta coisa pra ferir seu ego, seu cérebro e coração, e o que você pensa que é normal pensar não é tão natural assim, têm um bando de gente nesse mundo que quer que você os sirva e o que você pensa que é estranho e pecador não passa de um bando de hormônios e do seu amor localizado na alma, loucos pra se libertarem enquanto você insiste em reprimi-los. Nada é tão superficial quanto parece, está tudo por trás, esperando a hora certa de sair. O que foi escondido é o que se escondeu e o que foi prometido ninguém prometeu.

Um comentário:

Tatiana disse...

A Clarice Lispector fala muito disso, das camadas da cebola. Ela acredita que é preciso se livrar de camada por camada pra chegar ao centro, à realidade de um ser humano, assim como se descasca uma cebola.
Eu acredito nisso também.