terça-feira, 23 de setembro de 2008

Não há necessidade em contar
Há muito sei que entendes
Deixo-te as palavras pelo ar
Para não deixar-nos mais carentes

Mil textos que poderia redigir
Mil formas de nos lembrar
Mil músicas teriam de existir
Mil sonhos ao deitar

Não há necessidade em contar
Há muito já sabes dessa dedicação
Deixo-te as palavras pelo ar
Para que tu cuides da própria emoção

Negando toda a lógica do dicionário
E os diálogos poéticos do romantismo
Pois a gramática que guardo no armário
Não ajuda meu próprio neologismo

Mil novas palavras eu teria de inventar
Mil histórias que hão de vir
Mil formas de um mesmo falar
Mil expressões que espero ver surgir

Não há necessidade em contar
Deixo-te nas entrelinhas
Deixo-te as palavras pelo ar
Deixo-te risadas minhas

Enquanto tu souberes cá a minha posição
Do teu lado, em teu ombro
Afirmo-te que não importa a localização
Serei teu guia, tua mão, teu desassombro

Mil sentimentos ainda não-entitulados
Mil planos
Mil casos ainda não-concretizados
Mil anos

2 comentários:

Unknown disse...

AAaa se eu fosse um compositor!!!!
Isso com certeza viraria música.
Curti!

Tatiana disse...

Que lindo, Paula!
Lembrei de um trecho de "Meat Is Murder" (sugestivo nome pra nós) do Shout Out Louds (amo): "there are thing U should keep to yourself". Nem tudo precisa ser dito.