segunda-feira, 21 de julho de 2008
De dentro pra fora
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Sem idéias, palavras, pensamentos.
Quero fazer que te amo só de amor.
Com sentimentos, sentidos, emoções.
Quero curtir que te amo só de amor.
Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo.
Quero querer que te amo só de amor.
São sombras as palavras no papel.
Claro-escuros projetados pelo amor,
dos delírios e dos mistérios do prazer.
Apenas sombras as palavras no papel.
Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo
e nos sonhos dos amantes.
Fátuas sombras as palavras no papel.
Meu amor te escrevo feito um poema
de carne, sangue, nervos e sêmen.
São versos que pulsam, gemem e fecundam.
Meu poema se encanta feito o amor dos bichos
livres às urgências dos cios
e que jogam, brincam, cantam e dançam
fazendo o amor como faço o poema.
Quero a vida às claras superfícies
onde terminam e começam meus amores.
Eu te sinto na pele, não no coração.
Quero do amor as tenras superfícies
onde a vida é lírica porque telúrica,
onde sou épico porque ébrio e lúbrico.
Quero genitais todas as nossas superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor,
mas virá sempre antes, não depois da excitação.
Meu grande amor, o infinito é um recomeço.
Não há limites para se viver um grande amor.
Mas só te amo porque me dás o gozo
e não gozo mais porque eu te amo.
Não há limites para o fim de um grande amor.
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca,
mesmo quando se tornam quentes e congestionadas,
úmidas e latejantes todas as mucosas.
A nudez a dois não acontece nunca,
porque nos vestimos um com o corpo do outro,
para inventar deuses na solidão do nós.
Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
Porque eu te amo, tu não precisas de mim.
Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
No amor, jamais nos deixamos de completar.
Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
O amor é tanto, não quanto.
Amar é enquanto, portanto. Ponto.
Roberto Freire (L) - AMO! *.*
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Carência
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Cat Power - Good Woman
I want to be a good woman
and I want for you to be a good man
this is why I will be leaving
and this is why I can't see you no more
I will miss your heart so tender
and I will love this love forever
I don't want to be a bad woman
and I can't stand to see you be a bad man
I will miss your heart so tender
and I will love this love forever
This is why I am leaving
and this is why I can't see you no more
this is why I am lying
when I say I don't love you no more
I want to be a good woman
and I want for you to be a good man
terça-feira, 3 de junho de 2008
Paradoxo
quinta-feira, 29 de maio de 2008
A Máscara
Houvesse Carolina sido avisada do mundo para qual viria antes de nascer, com certeza escolheria outro. Mas não foi e veio. Veio no outono que é chique sem ser doloroso. Assim que veio Carolina observava o rosto das pessoas ao seu redor e não os entendia. Mesmo depois de ir para casa, de aprender a andar, falar, questionar e negar. Aliás, foi exatamente aí que começaram os maiores problemas e foi aí que ela começou a entender ainda menos tudo aquilo que a cercava. Cada vez que dizia a palavra “Por que?” ouvia de volta uma resposta meia-boca, a ausência de resposta ou pior que isso, ouvia para parar de perguntar tanto. Queria descobrir, saber, entender, ir a fundo em tudo que a cercava, não se contentava apenas em olhar, ela queria mais. Cada vez que dizia a palavra “Não” era um Deus que nos acuda, parecia que ela havia infringido uma lei nacional, quem sabe até mundial, parecia que era a pior criança do mundo. E quando rolava um “Não” seguido de um “Por que?” então não havia nada que assustasse mais a pobre garota. Afinal para aquele “Não” ser tão condenado, devia haver um “Porque”, certo? Bem, não era o que parecia. Carolina crescia enquanto sua cabeça dava cada vez mais nós e ela acabava se perdendo e pensando: que se tivesse sido avisada do mundo para qual viria antes de nascer, com certeza teria escolhido outro. Até que em todo esse processo de crescimento, um belo dia Carolina descobriu algo que mudaria sua vida para sempre: A Máscara. Ah quanta magia havia naquela máscara! Era inexplicável a reação positiva das pessoas ao seu redor quando ela estava usando a máscara, ao contrário de tudo o que tinha provado até então. Santa Máscara! A Máscara era formada basicamente de observação, aceitação e concordância. Claro que ao longo da vida Carolina fez questão de incrementar a Máscara com alguns atributos que a deixaram ainda mais bonita como maquiagens, etiquetas e boa postura, mas a base continuava a ser a mesma. A garota amou tanto o poder daquele novo instrumento que decidiu nunca mais tira-lo e assim foi se formando a menina toda bonita, querida, educada, alienada e castrada. Hoje Carolina e sua Máscara vivem felizes, em uma bela casa, com um belo emprego. Nos fins de semana vão ao Mc Donald’s, assistem comédias românticas, lêem livros de auto-ajuda e sentem algumas dores que o médico diz serem causadas por estresse. Não gostam de política, choram antes de dormir e ontem Carolina deixou sua filha Daiana de castigo devido a um desagradável “Não” seguido de um “Por que?” que a tola menina ousou falar. Ah, deixe só até Daiana encontrar uma máscara e poder desfrutar de toda a sua felicidade e paz.
Broken
Enquanto você não se deixa ser fraco, admitir solidão e tristeza, não há alegria alguma. Enquanto você não admite que foi errado o que fez naquele dia, que se sente pequeno nesse mundo infinito e que toda a sua pose não te representa numa madrugada sozinho, não há retrato que te salve. Enquanto você só cresce e aparece não transparece, continua sendo no fundo invisível. Enquanto você só se vende, não encontra nada de graça. Porque vitória só vem depois da derrota. E o sorriso não é espelho da alma porra nenhuma. Ou você se deixa quebrar para poder reconstruir-se ou será a vida inteira aquele vaso bonito de enfeite sem histórias nem memórias pra contar.